segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Desabafo 31

"Ouvido aguçado"

Num daqueles dias em que o corpo pede alguma coisa... Que a mente já está bué cansada e que a vontade é somente estar no silêncio, e com o silêncio, desfrutando das belezas que ele pode proporcionar, decide sair de casa: andar um pouco pelo largo do Alameda. Na sua imensa escuridão, olhando da ponta da rua, parecia um autêntico túnel; e vos garanto que não tinha nenhuma luz no fundo, pior na situação em que me encontrava. Já estava tudo escuro em mim, e a caminhar numa zona escura, que soluções eu procurava? Que soluções procurava? Não sei. Por isso estava eu naquela lugar da procurar a melhor forma de resolver as ''makas'' que me assolavam naquele exacto momento.

Digo: os nossos ouvidos não param de funcionar mesmo que estivermos tristes ou sombrios. Não estou a querer justificar o que vou contar agora, mas é a realidade. enquanto caminhava, e como vocês sabem, o parque é um lugar público, vinham duas senhoras também a conversar e por sinal muito alto.

 - Fulana 1 - Eu mesmo com essa idade sou mal comportada? Isso até é abuso. Quem é aquele miúdo para me chamar atenção? No mínimo ele tem confiança. Vai me chamar atenção a mim.
 - Fulana 2 só escutava e confirmando meneando a cabeça, sinalizando positivamente.

E eu, do outro lado, na minha linda confusão de pensamentos e atento ao que se passava ao meu redor, questionei-me: será que um menor não pode chamar atenção a um adulto? Porque os adultos não gostam que os menores lhes exortem? Como viram, com certeza a senhora estava a reclamar de um menor, em relação a ela, pelo menos. Atendendo a nossa Cultura, as crianças devem sempre se colocar no lugar delas... Cena Dicotómica, para alguns, me parece. Olhando para os nossos tempos devemos nos adaptar. Os menores também têm ideias. Entendem as coisas. E o Altíssimo, dotou cada um de nós de inteligência suficiente para saber discernir algumas coisas da vida. Os adultos, com certeza têm a experiência por terem vivido mais tempo. Mas não significa que não podem errar no falar ou no agir. A vida é cheia de coisas complexas. E as suas soluções podem advir de vários lados. E nas nossas relações inter-pessoais, há a necessidade das pessoas ouvirem um ao outro. Prestar atenção naquilo que desejam, pensam e querem num determinado momento. E isso tudo os menores também têm: são pessoas.

Nada de banalizar o esforço dos outros, entretanto, precisamos abrir-nos para algumas diferenças existentes no mundo. Especialmente das pessoas. E os menores não fogem as regras. Não devemos deixar cair isto para o lado da discriminação. É necessário deixar as pessoas exporem os seus pensamentos, independentemente do seu estatuto ou posicionamento na sociedade.

By: P.K.F.A
03.08.2015

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